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Incultura cult

Por Carlos Mendes "Martini"   /     dez 13, 2014  /     Além disso...  /  

Navegar pelos posts do Facebook de alguns amigos é algo que sempre me reserva algumas gratas surpresas. Dia desses eu me deparei com este comentário em um post de um desses amigos:

Embora soe amargo, o comentário é perfeito.

Eu mesmo peguei, digamos, os últimos dias de agonia do nosso sistema educacional, antes que ele, parafraseando Rita Lee, virasse bosta. Durante a maior parte de minha vida escolar, era um orgulho ser estudioso, tirar altas notas. Os outros sentiam inveja do aluno mais aplicado e inteligente. No entanto, quando eu estava para me formar no antigo Segundo Grau (atual Ensino Médio), ser estudioso já era vergonhoso. Os rapazes precisavam, do alto de sua masculinidade, exprimir sua testosterona exibindo seu desprezo ao sistema, precisam ter o comportamento e a aparência de marginais – ainda que não o sejam. O aluno estudioso, aplicado, com as melhores notas, era tachado como o CDF, o ridículo, o nerd. Já as meninas, nessa época elas ainda escapavam dessa maldição, sendo admiradas quando eram inteligentes. Sim, ser estudioso era coisa “de mulherzinha”. Os rapazes precisavam ser daquela turma da bagunça, que não estudava, apenas colava e perturbava os outros. Eram esses caras que faziam as menininhas suspirarem.

Hoje nem as meninas escapam. O bonito hoje, na cultura popular, são as meninas que andam, se vestem e se comportam como prostitutas (e se defendem dos olhares enviesados com o característico “só Deus pode nos julgar”), que brigam no meio da rua, rolando pelo chão e gravando esse comportamento bárbaro em vídeo para postá-lo no Youtube, que se comunicam com a linguagem de concubinas de um traficante de drogas, cheia de gírias, palavrões e gestos obscenos.

Hoje, além do sistema educacional falido e tendencioso, doutrinador do socialismo, ainda temos alunos completamente ineptos e alienados: eles não estudam — não acreditam que estudar seja importante e estão interessados apenas “no canudo”; colam nas provas e acham que estão sendo espertos, que o professor é que é um trouxa; dão graças a Deus quando não tem aula ou quando podem ir embora para casa mais cedo, mesmo sabendo que estão pagando pelo período completo e que as aulas DEVERIAM ser importantes para seu futuro. E, ao final dos estudos, quando as coisas não dão muito certo, quando as oportunidades não se abrem e os salários são baixos, eles reclamam da vida, do “sistema” (essa entidade sem forma e vazia, que lembra o mundo antes da Criação), dos empresários malvados e exploradores, do capitalismo, sem se darem conta que, por culpa da própria estupidez, tornaram-se profissionais – quando muito – medíocres. Mas coitadinhos, eles são pobres oprimidos pela sociedade burguesa-exploradora-conservadora-heterossexual-cristã-homofóbica-machista-fascista.

Hoje, ser menos é mais. A incultura é cult e, se bobear, rende até participação no programa da Regina Casé. E se for preciso defender essa insensatez, os mais tolos encontram até uma ajuda bíblica: sabe como é, “a sabedoria dos homens é loucura aos olhos de Deus”.

A realidade é opressora e os correto sêmo nozes.

Dez anos depois de minha formatura, quando fui em uma festa com meu sobrinho Henrique, tive o desprazer de assistir, atônito, uma cena na qual um rapaz rosnava, depois de uma discussão com outro: “cara, eu já fiquei preso 3 anos, não me custa matar um cara desses e ficar preso mais 3”. Ele era menor de idade, um desses menores que hoje gente como a Maria do Rosário Nunes e o restante da trupe dos “direitos dos manos” (aqueles que acham que humanos mesmo são apenas os bandidos, enquanto as pessoas de bem são a elite opressora fascista da Marilena Chauí), defendem com unhas e dentes como as pobres vítimas da sociedade. É, naquele tempo ele já sabia que podia até mesmo matar e sairia impune.

De lá para cá se passaram mais uns dez anos, e a coisa só piorou. E ainda há quem acredite que estamos no caminho certo.

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Carlos Mendes "Martini"

Carlos Mendes "Martini" é Gestor da Tecnologia da Informação pelo Centro Universitário Newton Paiva, estudante de Filosofia (aluno do Professor Olavo de Carvalho), ex-estudante de Economia na UFSC (pensando em retornar ao curso o mais breve possível) e Gerente Financeiro em uma empresa de varejo de madeiras e produtos relacionados.
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Sobre Carlos Mendes "Martini"

Carlos Mendes "Martini" é Gestor da Tecnologia da Informação pelo Centro Universitário Newton Paiva, estudante de Filosofia (aluno do Professor Olavo de Carvalho), ex-estudante de Economia na UFSC (pensando em retornar ao curso o mais breve possível) e Gerente Financeiro em uma empresa de varejo de madeiras e produtos relacionados.

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