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Mas afinal, isso é uma família?

Por Carlos Mendes "Martini"   /     jan 15, 2015  /     Além disso...  /  

Saiu n’O Globo:

Vídeo de campanha publicitária quer mostrar vida normal de casal gay com filhosVídeo de campanha publicitária quer mostrar vida normal de casal gay com filhos – A gravação de apenas dois minutos tem a intenção de mostrar que, apesar do preconceito que possam sofrer, a família é simplesmente “normal”.

O post no Facebook imediatamente gerou as mais revoltadas opiniões dos que simplesmente abominam qualquer espécie de “abertura” (por assim dizer) no conceito de família.

Mas pessoal, por favor, vamos um pouco além de apenas arranhar a superfície nesse assunto?

Ok, é um fato INCONTESTÁVEL que a reprodução só é possível com macho e fêmea — e por consequência, a família, por definição e origem, é uma estrutura hétero. PONTO FINAL sobre isso, não há o que discutir nesse sentido.

Sim, uma família é uma estrutura, por definição, heterossexual, já que é preciso haver um homem e uma mulher para que hajam filhos. É, nós ainda não podemos cultivar bebês como se fossem plantas, tal como se vê em filmes como Matrix e O Homem de Aço. E há, ainda, duas variações possíveis em cima desse conceito: primeiro, famílias com pais e mães solteiras/viúvas. O pai/mãe solteiro(a) ou viúvo(a) não deixa de, com seu(s) filho(s), constituir uma família. Acho que ninguém discordará nesse ponto.

Entretanto, emocionalmente falando — e aí nós extrapolamos o conceito tradicional/natural de família — um segundo arranjo composto com um casal gay e filhos adotados pode sim, a meu ver, ser considerado um núcleo familiar.

Calma, explico. Ou tento.

Basicamente, o que é preciso para que haja uma família?

1) Os pais — ou pelo menos um deles (pai ou mãe).

2) Os filhos

Um arranjo baseado em um casal gay com um ou mais filhos adotados guarda semelhança, portanto, com o conceito original/tradicional/natural de família porque tem os pais (ou mães) e tem os filhos (uma vez adotados, para todos os efeitos legais, eles são filhos, afinal). Se houver uma coesão, se houver amor dentro desse grupo, por que ele não poderia ser considerado, para todos os efeitos, um núcleo familiar?

Sim, é uma obviedade ululante que não dá para “abrir a roda” (eu te odeio, Sarajane) e dizer que uma bizarra formação, por exemplo, com três gay, um cão e um menino adotado, todos juntos e misturados fazendo sexo animal e bizarro, não poderiam jamais constituir uma família. Eu me refiro — eu repito –apenas aos núcleos compostos por um casal de seres humanos (os pais) e seu(s) filho(s) humano(s).

“Mas Carlos, esse arranjo não poderia ter variações perigosas?”

Bom, a meu ver não.

“Então um casal gay sem filhos não é uma família?”

Não, não é. Um casal é um casal.

“Um casal gay com um cachorro não é uma família?”

Um casal com um cachorro é… ora, um casal com um cachorro! O que mais poderia ser?

Mas um grupo de três gays que se amam morando com o filho adotado de um deles não é uma família?”

Bom, pode-se dizer que o gay e seu filho adotado são uma família, como seriam um pai solteiro ou viúvo com um filho.

Parou por aí. O resto, são “adendos”, são figurantes. Senão vira bagunça!

Já que estamos tratando aqui de minha opinião pessoal, se alguém insistir que todos esses aí fazem parte da família, eu vou insistir em discordar e dizer: desculpe, mas isso aí então não é uma família, é uma bacanal. Hashtag #prontofalei.

Não estou sendo moralista não. Ora, o pai adotivo é um só. Além disso, casal são duas pessoas. De três pra cima, é suruba, é trenzinho, é qualquer coisa menos casal, menos família.

“Ah, mas e se eles se amam?”

Ok, então não é uma suruba, é… sei lá, é um ménage cheio de amor, pronto. Soa melhor para você?

Vejam bem, eu não estou dizendo, ao admitir a possibilidade de uma família com pais gays, que a coisa para mim é um “liberou geral” e que uma família pode ser um surubão com pais, filhos, amantes, michês, cachorros e gatos pulando sobre a cama. Estou me referindo a arranjos realmente similares ao conceito original/tradicional/natural de família, mas com apenas uma diferença: a composição do casal.

Acho que não custa nada parar para pensar e ver que existem os dois lados da moeda. O que não dá é para rolar esse tipo de polarização — de um lado, gente que acha que gay não pode constituir família simplesmente por ser gay (e usando, como base, argumentos datados e/ou idiotas como o de que a homossexualidade é um “distúrbio comportamental”) e, do outro lado, os “gayzistas” que querem simplesmente destruir o conceito original de família (como se isso fosse possível) com imbecilidades como uma sugestão que surgiu, entre políticos, de eliminar os termos “pai” e “mãe” dos documentos dos filhos.

Não, né? Menos, gente! Bem menos!

Em tempo, ANTES QUE algum asno venha me criticar pelo uso do termo “gayzista” com aquele papo de que significa “gay nazista”, eu explico: “gayzista” e “gayzismo” referem-se à militância política. Então da mesma forma que, por exemplo, se fala em socialista/socialismo, esquerdista/esquerdismo, temos gayzista/gayzismo. É claro que, mais tarde, com a agressividade e a intransigência do movimento gay, acabou rolando uma inevitável (e maldosa, eu sei) comparação do movimento com o nazismo. Mas não é disso que se trata. Ou, pelo menos, não deveria ser.

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Carlos Mendes "Martini"

Carlos Mendes "Martini" é Gestor da Tecnologia da Informação pelo Centro Universitário Newton Paiva, estudante de Filosofia (aluno do Professor Olavo de Carvalho), ex-estudante de Economia na UFSC (pensando em retornar ao curso o mais breve possível) e Gerente Financeiro em uma empresa de varejo de madeiras e produtos relacionados.
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Sobre Carlos Mendes "Martini"

Carlos Mendes "Martini" é Gestor da Tecnologia da Informação pelo Centro Universitário Newton Paiva, estudante de Filosofia (aluno do Professor Olavo de Carvalho), ex-estudante de Economia na UFSC (pensando em retornar ao curso o mais breve possível) e Gerente Financeiro em uma empresa de varejo de madeiras e produtos relacionados.

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