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Sobre a desigualdade, os mega ricos e os pobres explorados

Por Carlos Mendes "Martini"   /     abr 21, 2015  /     MEMEnganos, Política e Economia  /  

Sim, o Livre Mercado (Capitalismo) funciona!Um dos argumentos pró-socialismo que mais fazem sucesso entre inocentes que não conseguem compreender a própria estrutura da realidade é aquele que diz que o Capitalismo (ou Livre Mercado) é ruim por ser a causa da desigualdade entre ricos e pobres.

O argumento é estúpido, primeiro, por repousar sobre um conceito bonitinho mas intelectualmente preguiçoso de “desigualdade” e, segundo, por não levar em conta o funcionamento do mercado e não vislumbrar que a fortuna dos ricos não é o motivo da miséria dos mais pobres (e nem faz sentido algum que alguém pense isso).

Outro dia, por exemplo, eu tive o desprazer de ler, em um post do Facebook:

“As desigualdades se acentuaram após a Revolução Industrial”

De certa forma isso está correto. Mas é ÓTIMO que seja assim. Calma, já explico.

Bom, como as pessoas viviam antes da Revolução Industrial? Eu respondo: a maior parte da população vivia do campo. Outros, com um pouco mais de sorte, viviam de prestar serviços para nobres abastados ou para ricos mercadores. As pessoas ricas, tal como hoje, eram uma pequena minoria.  E como a imensa maioria da população era composta de gente pobre, podia-se dizer que, estatisticamente falando, a igualdade era maior. Mas era uma IGUALDADE DE MISÉRIA.

Não, a desigualdade não é necessariamente ruimCom o advento da Revolução Industrial, surgiu uma classe de mega-ricos industriais, é verdade. Aumentaram as desigualdades? Sim, a partir do momento em que surgiram novas classes sociais — e vejam bem que, quando falo em CLASSES SOCIAIS, eu falo em grupos com diferentes níveis de renda  e não de classes estanques, tal como em um sistema de castas, no qual você não tem como sair da classe à qual pertence. E se sua classe é definida pela sua renda, então ainda que nascido em uma classe mais baixa, ao gerar riqueza você muda classes superiores.

Hoje, mesmo pessoas de classes mais pobres tem acesso, muitas vezes, a produtos e serviços que jamais se poderia sonhar antes. Prova disso é que hoje vemos gente pobre com sua TV de LCD, LED ou Plasma na sala e com computador ou notebook com acesso à Internet. Os pobres de hoje não precisam comer restos estragados de suas hortas, eles compram produtos industrializados a preços mais acessíveis.

Sim, os ricos de hoje são muito, MUITO mais ricos do que os ricos daqueles tempos. Sim, a desigualdade aumentou, mas o padrão de vida da população como um todo ELEVOU-SE e a quantidade de miseráveis REDUZIU-SE drasticamente. Hoje, uma pessoa de classe média baixa vive em condições de conforto, higiene e saúde superiores às de muitos ricos da Idade Média.

Assim, não se pode confundir os conceitos. O fato de a desigualdade hoje ser maior não significa que o PADRÃO DE VIDA da população caiu. Pelo contrário, o padrão aumentou muitíssimo — exponencialmente.

Não, a desigualdade não é necessariamente ruimPara dar uma ideia do salto, uso um exemplo pessoal: em meados da década de 1990 eu era autônomo e comprei uma estação de trabalho (PC, scanner e impressora). Lembro que o equipamento custou o equivalente a uns 8 ou 10 mil reais hoje. Precisei de uma linha de financiamento semelhante às que são usadas hoje para parcelar automóveis. Hoje, um equipamento semelhante custaria menos de 1.500 reais. Veja bem: estou dando como exemplo o quanto o mercado de tecnologia foi barateado ao longo de 20 anos. Imagine então todas as mudanças, em todo tipo de bens de consumo e serviços, de 200 anos para cá.

Explicado isso, eu pergunto: o que é melhor? Uma sociedade com apenas alguns poucos nobres e ricos, onde quase todos os outros são miseráveis, tendo que viver apenas do que produzem e praticamente sem nenhuma possibilidade de ascensão social por esforço próprio? Ou uma sociedade onde há sim os extremos (alguns miseráveis e algumas pessoas muito, mas MUITO ricas) mas a maioria da população não apenas tem um padrão de vida superior como tem a possibilidade de ascender socialmente pelo próprio trabalho na geração de riqueza (por exemplo, inventando algo legal que possa ser vendido)?

Ora, ninguém jamais disse que o Capitalismo (leia-se Livre Mercado) é perfeito. Mas ele é o único sistema que é capaz de melhorar as condições de vida de da maior parte da população sem privá-la das suas liberdades e ainda permite o livre trânsito entre as classes sociais, de acordo com os méritos de cada um.

Não, a desigualdade não é necessariamente ruimSobre os super/ultrarricos, para alguns o amaldiçoado fruto da desigualdade: entenda que praticamente nenhum desses mega ricos tem uma fortuna realmente líquida, ou seja, uma fortuna em dinheiro vivo, pronto para ser gasto à vontade. Eles não vivem dentro de uma caixa forte gigante, saltando e nadando em uma piscina de moedas como o Tio Patinhas nas revistinhas e desenhos animados da Disney. Muito pelo contrário. Por exemplo, os mais de 70 bilhões do Bill Gates estão, em sua maior parte, em ativos (ações, empresas, propriedades) que pertencem sim a ele, mas também beneficiam DEZENAS OU CENTENAS DE MILHARES de pessoas.

Veja: se eu não estiver mal informado, só a Microsoft tem mais de 90 mil funcionários. Além disso, há uma infinidade de fornecedores, empresas parceiras e até indivíduos que, de alguma forma, ganham alguma coisa em cima dos produtos e serviços da Microsoft.

No total, literalmente milhões de pessoas vivem dos negócios, produtos, serviços e patentes da Microsoft ou lucram alguma coisa com eles.

Veja que a fortuna de um só homem movimenta uma máquina gigantesca que garante emprego e sustento para muitos milhares de pessoas em todo o planeta – e isso é MUITO diferente da idéia grotesca que muitas pessoas tem de que todo mega-rico é meramente um egoísta acumulador de dinheiro a ser usado exclusivamente para seu deleite, luxos e vaidades, sem beneficiar ninguém.

Note-se, também, que essa fortunas vem de produtos e/ou serviços que esses magnatas vendem, através de suas empresas. Eles não roubam esse dinheiro dos pobres. Quem tira dinheiro do povo cobrando 40% de tudo que ganhamos, aliás, É O GOVERNO e não os ricos. As fortunas desses mega-ricos vem das pessoas que compram seus produtos ou serviços — E ELAS COMPRAM PORQUE QUEREM. Eu, por exemplo, comprei um Kindle pouco tempo atrás. Pois é, eu ajudei o dono da Amazon a ficar mais rico, mas fiz isso PORQUE EU QUIS. Ninguém me obrigou, não foi um tipo de imposto, ninguém me forçou a comprar o treco com uma arma na minha cabeça. E você que frequenta o Facebook por exemplo, fornecendo de bom grado dados importantes e valiosos para o dono dessa rede social sobre seus gostos e preferências, saiba que esses dados sobre seu perfil social/intelectual/ideológico auxiliam empresas a direcionar melhor seus esforços de publicidade no Facebook. Pois é, você ajuda a aumentar a fortuna do Sr. Mark Zuckerberg SEM DAR NEM UM CENTAVO DO SEU BOLSO PARA ELE. E você faz isso voluntariamente, porque quer. Ninguém te obriga a acessar uma rede social.

É por isso que costumamos dizer que a Economia não é um jogo de soma zero. Ou: a riqueza do mundo não está definida e limitada a tal ponto que, para que alguém seja mais rico, outra pessoa precise ser mais pobre. É justamente o contrário: mais riqueza pode ser gerada e introduzida no sistema ilimitadamente, de modo que mais e mais pessoas sejam beneficiadas sem que, para isso, outras pessoas precisem ser prejudicadas.

Não, queridos: vocês entenderam tudo errado...

Não, queridos: vocês entenderam tudo errado…

“Ah, mas o super rico é sempre o maior beneficiado de todos”, diz algum alguma voz de raciocínio mais lento. Não necessariamente. Ele tem sim os maiores ganhos, mas se ele é o maior beneficiado, pode ser que estejamos escapamos para uma discussão mais, digamos, mais filosófica. O que mais vemos por aí são astros ricos e famosos depressivos e suicidas, de forma que todo mundo sabe que, sozinho, o dinheiro não resolve todos os problemas. Sim, dá uma boa ajuda (geralmente é mais fácil resolver os problemas quando se tem dinheiro do que quando não se tem). Mas isso não é algo definitivo e inquestionável.

De qualquer forma, o criador de uma empresa merece, sim, ter os maiores ganhos. Afinal, ele desenvolveu o conceito, a ideia, os produtos, os serviços, ele criou o sistema, criou a empresa, deu forma a ela. Ela é dele! Nada mais justo e merecido que ele tire o proveito de todo esse trabalho.

Você também iria querer receber por algo que você criou, não iria? Ou você é uma freirinha carmelita descalça e iria doar tudo para os pobres? Nada contra as freiras – muito pelo contrário, uma freira sozinha vale mais, moralmente falando, do que um milhão de marxistas.

Funciona sim, Marx. Pena que você foi burro demais para perceber.

Funciona sim, Marx. Pena que você foi burro demais para perceber a tempo de evitar que milhões morressem em nome das besteiras que você escreveu.

Enfim, essa é a essência do Livre Mercado (ou Capitalismo): pessoas geram riqueza com produtos ou serviços que vendem. Outras pessoas acham que vale trocar o dinheiro que tem em mãos por esses produtou serviços e, VOLUNTARIAMENTE, fazem isso. E há, ainda, as outras pessoas que não pagam nada, não recebem nada, mas ainda assim ajudam a produzir riqueza. E todos são livres para correrem atrás dos seus sonhos e do seu destino.

Que assim seja.

Há outros aspectos interessantes relacionados a esse assunto. Se você tiver interesse nele, eu sugiro que você leia este texto sobre meritocracia e, ainda, este outro texto sobre a meritocracia e a economia de compadrio estatal.

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Carlos Mendes "Martini"

Carlos Mendes "Martini" é Gestor da Tecnologia da Informação pelo Centro Universitário Newton Paiva, estudante de Filosofia (aluno do Professor Olavo de Carvalho), ex-estudante de Economia na UFSC (pensando em retornar ao curso o mais breve possível) e Gerente Financeiro em uma empresa de varejo de madeiras e produtos relacionados.
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Carlos Mendes "Martini" é Gestor da Tecnologia da Informação pelo Centro Universitário Newton Paiva, estudante de Filosofia (aluno do Professor Olavo de Carvalho), ex-estudante de Economia na UFSC (pensando em retornar ao curso o mais breve possível) e Gerente Financeiro em uma empresa de varejo de madeiras e produtos relacionados.

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